domingo, 1 de novembro de 2009

A Aposta de Lerner

Jaime Lerner, mundialmente conhecido por seus projetos urbanísticos implantados em Curitiba ( Paraná-Brasil), propõe um carro elétrico de dimensões mínimas. O veículo serviria como um meio de transporte que compartilharia, com pedestres e ciclistas, o espaço urbano central, afastando a presença do automóvel. A notícia,transcrita a seguir, foi redigida por Vinicius Boreki e publicada em 30/10/2009 na Gazeta do Povo (Paraná).
"As cidades do futuro terão um bom transporte público. Por esse motivo, a melhor solução é um veículo individual sem dono”, explica o arquiteto. O conceito do carro elétrico tradicional, para Lerner, é benéfico para o meio ambiente, mas vai manter os engarrafamentos nas grandes cidades. O Dock Dock, por outro lado, faz parte de um conceito de mobilidade pensado na integração entre todos os atores de um sistema de transporte. “Não se deve tentar provar qual modelo é mais eficiente. Nossa ideia não é substituir o carro normal, mas colocar esse veículo para circular em áreas movimentadas, como as regiões centrais”, esclarece.
O intuito de Lerner é tornar o carro realidade nas ruas o mais rápido possível. “Não é um carro virtual, ao contrário do que vemos muitas vezes na mídia. Ele está resolvido, em fase de protótipo final. Se alguém quiser fabricá-lo, basta se apresentar”, afirma. De acordo com o arquiteto, as cidades não precisam se adequar ao projeto. “O carro que hoje chega aos 150 quilômetros por hora não tem mais lugar na cidade. A pessoa terá esse carro para viajar. Mas na cidade pode rodar com o Dock Dock”, avalia. O arquiteto promete apresentar oficialmente o veículo dentro de 15 dias. Professor titular de Transportes da Universidade Federal do Paraná, Eduardo Ratton discorda de Lerner: as cidades precisam encontrar formas para se adequar à invenção. “Pelo projeto, ele será semelhante a uma bicicleta para o trânsito. Hoje, os ciclistas não conseguem se locomover pela falta de respeito no trânsito. Por essa razão, será impossível usá-lo em convivência com os automóveis”, opina.
O professor do mestrado e doutorado em Gestão Urbana da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR) Fabio Duarte considera a ideia bastante interessante do ponto de vista tecnológico. Mas não enxerga a necessidade desse tipo de transporte na capital. “Em cidades como São Paulo e Rio de Janeiro, com centros muito grandes, esse tipo de solução pode funcionar. Especialmente se essas áreas forem fechadas para o carro comum”, afirma.
(foto Juliana Braz)