sábado, 5 de janeiro de 2008
O Dilema do Ciclista
O ciclista vive uma espécie de dilema.À medida que aumenta a sua consciên cia da importância, quase da imperiosidade da adoção mais ampla do emprego da bicicleta, aumenta também o seu sentimento de impotência.Ele vive num mundo e numa sociedade que "respira" carros( mesmo que para isto possa não respirar). À sua frente, grandes obstáculos, até muitas mortes e passados os primeiros momentos de entusiamo pela causa que decide abraçar, dá-se conta do tamanho de sua missão, uma missão que, entre coisas, em países economicamente muito desiguais, bicicleta é, basicamente, veículo de transporte da classe de menor poder aquisitivo e sofre, por conta disto, ainda muito estigmas ou, então, existe como instrumento de lazer de uma classe, a classe média, que tem carro e ainda não cogita tão seriamente em abrir mão das suas comodidades. Neste momento, o ciclista engajado se pergunta se tem alguma chance e deve , portanto, buscar forças e engendrar estratégiasque permitam abrir espaço na selva metálica que está instituída, encastelada em interesses e convicções que são muito fortes. Muitas das ações que consegue empreender são às vezes ações que mal arranham esta estrutura ou, até pior, parecem reforçá-la.Trata-se, portanto, de uma missão que não é fácil, que não é um"passeio ciclístico". Daí a importância, entre outras coisas, da fundamentação teórica do movimento, da busca e pesquisa de elementos que nos permitam entender melhor alguns aspectos de ordem cultural, política, econômica e até filosófica que permeiam a questão no seu todo. Daí a importância de uma maior preparação e de uma maior organização. Daí a importância de pedalarmos com consciência
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